BARBOSA, Eduardo Fernandes. MOURA, Dácio Guimarães de. Metodologias ativas de aprendizagem na Educação Profissional e Tecnológica. B. Tec. Senac, Rio de Janeiro, v. 39, n.2, p.48-67, maio/ago. 2013.
Geane Lopes Francisco Araújo
Sueli Lopes da Costa Figueiredo
Suélen Silva Simões
Adriana Ribeiro Agostinho Farias
Anthony Orteney
Apresentamos a resenha analítica de Barbosa e Moura cujo título é “Metodologias ativas de aprendizagem na Educação Profissional e Tecnológica” em que os autores falam que a educação brasileira está passando por momentos difíceis em que professores e alunos estão no mesmo século, porém vivendo em épocas diferentes. Portanto, é necessário a revisão de práticas tradicionais de ensino e a discussão de possibilidades de metodologias ativas na Educação Profissional, especialmente as metodologias de Aprendizagem Baseada em Problemas e Aprendizagem Baseada em Projetos. Ambas têm um ideário favorável às necessidades da Educação Profissional e podem gerar práticas docentes inovadoras no contexto da formação profissional, superando limitações dos modelos tradicionais de ensino.
Neste contexto, Barbosa e Moura (2013, p. 50) diz que a figura da escola, do professor e a do aluno, no século XXI estão vivendo em momentos diferentes, não se acertam na questão da aprendizagem. A escola deveria ser um ambiente preparado para a construção do saber, o professor, o mediador para ajudar o aluno a desenvolver suas competências, e o aluno, um elemento ativo, pesquisador e também responsável pela construção do conhecimento científico. Entretanto, a realidade é contraditória, o professor detém o saber e o aluno é apenas um coadjuvante. Esta concepção tem passado por grandes conflitos, indagações e consequentemente, por uma busca de transformações, visto que, o aluno, apenas recebe informações. Mas, segundo Barbosa e Moura(2013), as mudanças estão aos poucos surgindo, as escolas perceberam que o perfil do aluno também mudou e por isso buscam alternativas e mudanças para atender este aluno do século XXI.Diante desta perspectiva, devido às grandes mudanças tecnológicas e sociais, Barbosa e Moura (2013, p. 50) afirmam que a educação brasileira sofre de ansiedade indefinida, pois o perfil do aluno já não é o mesmo e a escola sobrevive em meio a esse contexto socioeducacional, é comum encontrarmos professores do século XX, trabalhando com educandos do século XXI em uma escola que está no século XIX. Portanto, Barbosa e Moura (2013, p. 51) questiona quais seriam as práticas docentes mais adequadas para atender às demandas educacionais de nosso tempo? Não temos respostas para essa indagação mas o fato é que essa questão surgido iniciativas para o futuro da educação, em todos os níveis e tipos de ensino, por especialistas do Brasil e do exterior.
Barbosa e Moura (2013, p. 51) afirmam que o professor precisa de metodologias ativas para ajudar o aluno a encontrar os recursos necessários como fontes de pesquisa, métodos de pesquisas e formas de aprendizagem diferenciada. Os autores trazem uma citação de Caldwell e Spinks (1998) que defendem a ideia de que devem direcionar o futuro da educação e da escola ao longo do século XXI, antevendo mudanças profundas na organização e funções da escola, muitas delas refletindo diretamente na sala de aula e em seus principais agentes – os alunos e os professores, levando as mudanças para a vida profissional. E para que ocorra tais mudanças, Barbosa e Moura (2013, p. 53) pontuam que, para haver uma aprendizagem significativa, contextualizada, orientada, que favoreça o uso intensivo dos recursos da inteligência, e que gere habilidades em resolver problemas e conduzir projetos nos diversos segmentos. a educação deve ser fundamentada no poder do verbo, teórica e dependente do uso intensivo da memória, e mesmo que o sistema educacional forme indivíduos tecnicamente muito bem preparados, é indispensável que eles sejam capazes de exercer valores e condições de formação humana, considerados essenciais, tais como: conduta ética, capacidade de iniciativa, criatividade, flexibilidade, autocontrole, comunicação, dentre outros, porque somente assim a educação brasileira terá mudanças que venham ao encontro dos alunos do século XXI, oportunizando ao aluno a aprendizagem de valores.
Para que aconteça tais mudanças Barbosa e Moura (2013, p. 54) explicam que reorganizar currículos sem a devida capacitação de professores, pode não gerar os resultados desejados. Ou seja, é necessário que as metodologias ativas se apresentem como contribuição relevante na criação dos currículos educacionais e pensem também em criar ambientes de aprendizagem contextualizados, com impactos de grande interesse para a formação em EPT.
Portanto, para que a educação brasileira consiga fazer mudanças em seus métodos, Barbosa e Moura (2013, p. 54) diz que devemos mudar o chão de fábrica de nossas escolas a Sala de Aula, é ali que as relações entre professor e aluno se complementam a de ensinar e aprender. Ao entendimento dos autores, o aprimoramento das funções básicas de ensinar e aprender, por meio de metodologias ativas, é um complemento necessário às propostas de reorganização curricular em curso.
O que são metodologias ativas de aprendizagem?
Barbosa e Moura explicam que metodologias ativas são de certa forma usadas pelos professores, muitas vezes não conhecidas por esta expressão, mas quando o professor trabalha com a metodologia de projetos ou o ensino por meio da situação de problemas são exemplos de que o professor trabalha com as metodologias ativas. Portanto, se nossa prática de ensino favorecer ao aluno as atividades de ouvir, ver, perguntar, discutir, fazer e ensinar, estamos no caminho da aprendizagem ativa.
Assim, os autores acreditam que a aprendizagem ativa ocorre quando o aluno interage com o assunto em estudo – ouvindo, falando, perguntando, discutindo, fazendo e ensinando – sendo estimulado a construir o conhecimento ao invés de recebê-lo de forma passiva do professor. Em um ambiente de aprendizagem ativa, o professor atua como orientador, supervisor, facilitador do processo de aprendizagem, e não apenas como fonte única de informação e conhecimento. É importante ressaltar que as metodologias ativas servem para ativar o aluno e o professor deve estar ativo ao ensinar, sempre atento, procurar a melhor terminologia para orientar o aluno a buscar conhecimentos, auxiliá-lo em uma aprendizagem mais científica.
Barbosa e Moura (2013, p. 56) acreditam que a educação profissional já oferece muitas oportunidades de aplicar metodologias ativas de aprendizagem nas diferentes áreas de formação profissional. É o caso das aulas de laboratório, oficinas, tarefas em grupo, trabalhos em equipe dentro e fora do ambiente escolar, visitas técnicas e desenvolvimento de projetos. Essas atividades baseadas em pesquisas e ou projetos tendem a ser naturalmente participativas e promovem o envolvimento do aluno no processo de aprendizagem, no que diz respeito à promoção de uma aprendizagem significativa, em contraposição à aprendizagem tradicional do tipo verbal, retórica, livresca, de ênfase teórica e descontextualizada. Essas características da aprendizagem baseadas em projetos são de grande valor nos processos formativos da educação profissional tecnológica.
Para finalizarmos esta resenha Barbosa e Moura (2013) conclui que, não se trata apenas de fazer coisas, independente de critérios, escolhas, planos, objetivos de aprendizagem, orientação e acompanhamento criterioso. É necessário pensar no que se vai fazer, fazer o que se pensou e pensar no que se fez. O que se busca é a prática de uma atitude consciente diante da realidade que se quer modificar e dos conhecimentos e habilidades que se quer adquirir.
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